O Brasil empreendedor em números
O Brasil é um dos países com maior vocação empreendedora do mundo — e os números confirmam. Em 2025, o país ultrapassa a marca de 22 milhões de CNPJs ativos, um ecossistema empresarial vasto e diverso que vai do MEI da esquina ao grupo empresarial com filiais em todo o território nacional.
O salto mais expressivo veio com a criação do Microempreendedor Individual (MEI), em 2009. A figura jurídica simplificou o processo de formalização a ponto de mudar o perfil do empreendedorismo brasileiro: segundo a Receita Federal (2024), 67% de todos os CNPJs ativos são MEIs. Isso significa que mais de 15 milhões de brasileiros — autônomos, prestadores de serviço, vendedores, artesãos, profissionais liberais — encontraram na formalização uma forma de proteger a renda, emitir nota fiscal e crescer com segurança.
O ritmo de abertura de empresas não desacelerou. O Sebrae registra 2,4 milhões de novos negócios abertos em 2023. Parte desse volume é impulsionada pela digitalização acelerada pós-2020: com o avanço do e-commerce, das plataformas de entrega por aplicativo e dos marketplaces, abrir um CNPJ deixou de ser algo exclusivo para quem tinha um ponto comercial físico.
O e-commerce brasileiro cresceu exponencialmente nos últimos anos. O Brasil é hoje o 3º maior mercado de e-commerce da América Latina e um dos que mais crescem globalmente. Isso criou uma geração inteira de empreendedores digitais — pessoas que vendem pelo Instagram, pelo Mercado Livre, pelo Shopee — e que começaram a entender que construir uma marca própria é o diferencial entre depender sempre da plataforma e ter um negócio real que pertence a elas.
Esse contexto importa porque é exatamente aí que a proteção da marca entra em cena. Quanto mais empresas surgem, mais nomes similares aparecem no mercado. A concorrência por identidade de marca se intensifica. E quem registra primeiro leva a vantagem.
O INPI como termômetro do negócio
Nem toda pesquisa de mercado consegue capturar o pulso real do empreendedorismo brasileiro. PIB, volume de vendas, índices de consumo — todos são importantes, mas chegam com defasagem e agregam ruídos demais. O volume de pedidos de registro de marca no INPI é diferente. É um indicador direto, atualizado semana a semana, que mede algo específico: a quantidade de negócios que decidiram proteger o que construíram.
Cada pedido de marca representa uma escolha consciente. O empreendedor que pede o registro da marca já passou por uma série de estágios: abriu o negócio, construiu uma reputação, conquistou clientes, entendeu que o nome tem valor — e então decidiu protegê-lo. Não é um ato burocrático automático. É um sinal de maturidade empresarial.
Por isso, acompanhar o volume anual de pedidos no INPI é, na prática, acompanhar a evolução da consciência de marca no país. Quando o número cresce, não estamos vendo apenas mais pedidos — estamos vendo mais empreendedores que entenderam que o nome do negócio é um ativo, não apenas um rótulo.
O INPI publica semanalmente a Revista da Propriedade Industrial (RPI) — o diário oficial das marcas no Brasil — e divulga anualmente o Boletim Estatístico com o total de novos depósitos. A WIPO consolida esses dados no seu IP Statistics Data Center, que posiciona o Brasil no ranking global. É sobre essas fontes públicas que os dados deste artigo se baseiam.
A diferença entre esse indicador e outros é que ele não mede intenção — mede ação. Um empresário que entra no site do INPI, paga a taxa e protocola o pedido está dizendo, com o próprio dinheiro e tempo, que acredita no futuro do negócio. É o tipo de sinal que economistas chamam de "revelação de preferência": não o que as pessoas dizem que vão fazer, mas o que elas efetivamente fazem.
E o que os dados revelam sobre essa ação coletiva de mais de 1,72 milhão de novos pedidos em dez anos é, no mínimo, surpreendente.
1,72 milhão de pedidos: o que esse número revela
Em 2015, o INPI registrou 115.362 novos pedidos de marca (WIPO IP Statistics). Em 2024, esse número chegou a aproximadamente 188 mil — um crescimento de +63% em dez anos. O Brasil é hoje o 6º país no ranking mundial de depósitos de marca (WIPO, 2023). Para ter uma noção de escala: em 2024, o INPI recebeu em média cerca de 515 novos pedidos de marca por dia.
Pedidos de marca no INPI — evolução anual
Fonte: INPI (Boletim Estatístico) / WIPO IP Statistics
A curva de crescimento tem três momentos distintos. O primeiro é a aceleração inicial: de 2015 a 2018, os depósitos cresceram +29%, passando de 115 mil para quase 149 mil. O país vivia um período de expansão do empreendedorismo formal, com o MEI já consolidado e a consciência de marca começando a se popularizar.
O segundo momento é o recuo de 2020: a pandemia derrubou os pedidos de 152 mil (2019) para 137 mil (-9,8%), o único ano negativo da série (INPI Boletim Estatístico).
O terceiro momento é a retomada e os novos recordes: de 2021 a 2024, cada ano superou o anterior, chegando à estimativa de 188 mil em 2024. E a tendência aponta para cima — com 2,4 milhões de novos negócios abertos em 2023 (Sebrae), a pressão sobre o cadastro do INPI tende a crescer.
O que explica esse crescimento contínuo? Três fatores se combinam. Primeiro, a expansão do e-commerce — que atingiu R$ 185 bilhões em 2023 (ABCOMM) — obriga os vendedores a se diferenciarem. Segundo, a digitalização dos serviços do INPI reduziu a fricção do processo. Terceiro — e talvez o mais importante — a consciência de que marca é um ativo financeiro se disseminou. Quem vende um negócio, busca um investidor ou quer licenciar o nome sabe que sem registro não há negociação.
COVID e resiliência: o empreendedor que não parou
Resiliência pós-pandemia
Fonte: INPI (Boletim Estatístico) / WIPO IP Statistics. Queda de 9,8% em 2020; recuperação de +20,3% em 2021.
A pandemia de COVID-19 impactou o mundo dos negócios de forma abrupta e avassaladora. Em 2020, o volume de novos pedidos de marca no INPI caiu de 152.107 (2019) para 137.246 — uma retração de 9,8% (INPI Boletim Estatístico). O número é expressivo, mas o que chama mais atenção é o que veio depois.
Em 2021, o empreendedorismo brasileiro deu uma resposta inequívoca. Os pedidos saltaram para 165.089 — crescimento de +20,3% em um único ano, superando os níveis pré-pandemia. Não foi apenas resiliência: foi transformação. A crise sanitária acelerou a digitalização de negócios, criou novos mercados (delivery, saúde digital, e-commerce de nicho) e empurrou milhões de pessoas para o empreendedorismo por necessidade ou por oportunidade.
Muitos dos negócios que nasceram nesse período já nasceram com uma mentalidade diferente: mais digitais, mais orientados à marca, mais conscientes da importância da proteção intelectual. O MEI que virou confeiteiro durante o lockdown e construiu uma audiência no Instagram aprendeu rápido que o nome da sua marca valia dinheiro — e que era preciso protegê-lo antes que outra pessoa o fizesse.
De 2021 a 2025, a curva foi apenas de crescimento. Cada ano superou o anterior, até o recorde histórico de 2025. A pandemia, que poderia ter interrompido a trajetória ascendente do empreendedorismo brasileiro, acabou funcionando como um catalisador.
Quem ainda não protegeu a marca
Empresas com marca registrada
Fonte: Sebrae (estimativa 2023) — cerca de 8% das PMEs brasileiras têm marca registrada no INPI
Com cerca de 1,72 milhão de novos pedidos depositados entre 2015 e 2024, pode parecer que o registro de marca já é uma prática consolidada no Brasil. Mas os números contam uma história diferente quando colocados em perspectiva: o país tem 22,4 milhões de CNPJs ativos (Receita Federal, 2024), e o Sebrae estima que apenas 8% das PMEs brasileiras têm marca registrada (2023).
Isso significa que mais de 20 milhões de empresas operam hoje sem a proteção formal da marca. São negócios que investiram em produto, em atendimento, em reputação — mas que ainda não garantiram a exclusividade sobre o próprio nome. E quanto mais o volume de pedidos no INPI cresce, maior é o risco para quem ainda não registrou.
O mecanismo é simples: o registro de marca segue o princípio do primeiro a depositar. Se outra empresa, em qualquer lugar do Brasil, depositar um pedido para um nome igual ou muito similar ao seu no mesmo segmento, ela pode obter a exclusividade — e você pode ser obrigado a deixar de usar o nome que construiu. Isso não é hipótese: acontece todo dia no INPI.
O risco é proporcional ao crescimento. Com cerca de 515 novos pedidos sendo depositados por dia (estimativa INPI 2024), as chances de que alguém esteja tentando registrar um nome parecido com o seu aumentam a cada semana. Setores com mais concorrência — varejo, alimentação, moda, tecnologia, serviços profissionais — são os mais vulneráveis.
A boa notícia é que verificar se o nome está disponível é rápido e gratuito. E registrar antes de outra pessoa é sempre mais fácil e mais barato do que brigar depois. A janela de oportunidade existe — mas ela fecha quando alguém deposita antes.
O que fazer agora
Se você chegou até aqui, provavelmente já entendeu que esperar não é uma estratégia. Com mais de 1,5 milhão de pedidos de marca sendo depositados por ano no INPI, cada dia sem registro é um dia de risco desnecessário para o seu negócio.
O caminho prático tem quatro passos:
- Verifique se o nome está disponível. A pesquisa de viabilidade mostra se já existe alguma marca igual ou similar no mesmo segmento. É gratuita e leva poucos minutos. Faça a sua verificação agora — é o primeiro passo, e o mais importante.
- Defina as categorias certas. O registro de marca protege o nome dentro dos segmentos de produto e serviço que você indicar. Escolher as categorias corretas garante proteção ampla e evita lacunas.
- Deposite o pedido no INPI. A partir do depósito, você já tem prioridade sobre o nome — mesmo antes da concessão final. Isso significa que, se alguém tentar registrar o mesmo nome depois de você, o seu pedido terá precedência.
- Acompanhe o processo. O registro leva tempo, mas cada etapa é monitorada. Se houver exigências do INPI ou tentativas de oposição, é importante responder dentro dos prazos para não perder o pedido.
A HotMarcas cuida de todo esse processo — da pesquisa inicial até a concessão — com mais de 30 anos de experiência e procurador cadastrado no INPI. Se quiser começar agora, verifique gratuitamente se o nome está disponível ou fale com a nossa equipe pelo WhatsApp. Retornamos em horário comercial, sem bot e sem fila.