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Slogan e identidade visual: o que dá para registrar

· 5 min de leitura · Por Fellipe Araujo
Estúdio de design trabalhando em uma logomarca e na identidade visual de uma marca
Resposta rápida: Dá para registrar como marca o nome, o logo e até um slogan, desde que tenham distintividade. Slogans puramente descritivos ou promocionais comuns costumam não ser registráveis como marca. A prioridade sobre o sinal começa no depósito; o uso exclusivo só se consolida com a concessão. Proteger por marca é diferente de proteger por direito autoral.

Toda marca tem mais elementos do que só o nome: tem o logo, as cores, às vezes um slogan que gruda na cabeça do cliente. Aí vem a dúvida natural — dá para registrar tudo isso? O slogan pode virar marca? E a identidade visual, como fica protegida? A resposta tem partes que sim e partes que nem sempre. Vamos ao que é prático, sem juridiquês.

O que dá para registrar como marca

A marca existe para identificar um produto ou serviço e distinguir o seu negócio dos outros. Tudo o que cumpre esse papel de sinal distintivo tende a ser registrável. Na prática, os principais elementos são:

  • O nome do negócio, do produto ou da linha. É o registro mais comum e costuma ser a base de tudo.
  • O logo, ou seja, o desenho, o símbolo, a estilização visual que representa a marca.
  • O conjunto nome + visual, quando você quer proteger os dois juntos, do jeito exato em que aparecem.
  • O slogan, em certas condições que veremos a seguir.

Se quiser ver de forma organizada os formatos de marca e o que cada um cobre, o artigo sobre tipos de marca dá o panorama completo.

Slogan: quando dá e quando não dá

O slogan é o ponto que mais gera confusão, então vale detalhar. Um slogan pode ser registrado como marca, mas não qualquer slogan. O fator decisivo é, de novo, a distintividade.

Slogans que costumam ter chance de registro são aqueles criativos, próprios, que funcionam como assinatura da marca — frases que o público associa a você e não a qualquer um do ramo. Quando a frase tem identidade, soa única e ajuda a identificar a sua marca, ela tende a ser registrável.

Já os slogans que costumam não dar são:

  • Frases puramente descritivas, que só explicam o que o produto faz ("a tinta que seca rápido"). Descrição não pode ser monopolizada por uma marca só.
  • Expressões promocionais comuns, do tipo "a melhor qualidade pelo menor preço" ou "qualidade que você confia". São frases genéricas, usadas por todo mundo, e por isso não distinguem ninguém.
  • Chamadas publicitárias banais, que qualquer concorrente poderia usar sem que isso causasse confusão.

O raciocínio é o mesmo que vale para nomes: o que é de uso comum precisa ficar livre para todo mundo do ramo. Um slogan que descreve ou apenas elogia o produto raramente passa; um slogan que carrega a personalidade da marca tem muito mais força.

A identidade visual: cada parte tem seu caminho

"Proteger a identidade visual" parece uma coisa só, mas na verdade são várias. O logo, a estilização do nome, um símbolo isolado, a combinação de tudo — cada elemento pode exigir uma forma de registro diferente.

Vale ter clareza sobre um ponto importante: registrar só o nome não protege automaticamente o logo. O registro do nome cobre o nome. Se o que você quer blindar é o desenho, o símbolo ou o conjunto visual, normalmente é preciso uma marca mista (nome + visual) ou figurativa (só o elemento visual). Por isso muitos negócios acabam tendo mais de um registro para fechar todas as frentes.

Para entender o caminho específico de proteger o logo, o passo a passo de como registrar logomarca mostra como esse tipo de pedido funciona na prática.

Marca e direito autoral: proteções diferentes que se somam

Aqui está uma distinção que confunde muita gente. Marca e direito autoral não são a mesma coisa e protegem aspectos diferentes.

A proteção por marca cuida do sinal que identifica o seu produto ou serviço no mercado. Ela vem do registro no INPI, vale para as categorias que você indicou, tem prazo e é renovável. É a proteção pensada para o uso comercial, para impedir que outro negócio use um sinal igual ou parecido no mesmo ramo.

O direito autoral protege obras de criação — e o desenho artístico de um logo, por exemplo, pode ser uma obra. Essa proteção nasce com a própria criação da obra, sem depender de registro no INPI, e foca no aspecto criativo, autoral, da peça.

Na prática, os dois podem se somar. Um logo pode ser, ao mesmo tempo, uma marca registrada (protegendo o uso comercial dele como sinal) e uma obra protegida por direito autoral (protegendo a criação em si). Mas eles não se substituem: ter um não dá o outro. Para a maioria dos negócios que querem proteger a identidade no mercado, o registro de marca é o caminho central.

Se você ainda está calibrando o que entra e o que não entra como marca, vale a leitura sobre o que pode ser registrado como marca.

Prioridade e uso exclusivo: a lógica que vale para tudo

Não importa se é nome, logo ou slogan: a regra jurídica é a mesma para qualquer um desses sinais. A partir do depósito — o protocolo do pedido — você passa a ter prioridade, ou direito de precedência, sobre aquele sinal nas categorias indicadas. Você entra na fila na frente de quem vier depois.

O direito de uso exclusivo, no entanto, só se consolida com a concessão do registro. Depositar é o passo decisivo, que garante o seu lugar; a exclusividade plena chega quando o registro é concedido. Por isso, a partir do pedido você já pode usar o símbolo ™, enquanto o ® fica reservado para depois da concessão. Só usar o slogan ou o logo no dia a dia, por si só, não cria essa proteção.

Como decidir o que registrar primeiro

Na maioria dos casos, a base é o nome, depois o logo (ou o conjunto), e o slogan entra quando ele é forte o bastante para virar uma assinatura própria da marca. Mas a ordem ideal depende do seu negócio, do que já está consolidado e do orçamento do momento.

E, antes de tudo, vale o diagnóstico. Faça a verificação gratuita da sua marca e veja, sem compromisso, como está o cenário para o seu nome e para os elementos que você quer proteger. Com esse retrato em mãos, fica muito mais fácil decidir o que registrar primeiro e montar uma proteção que cobre o que realmente importa para o seu negócio.

Perguntas frequentes

Dá para registrar um slogan como marca?
Dá, desde que o slogan seja distintivo, ou seja, que ele funcione como um sinal que identifica a sua marca e não seja apenas uma frase promocional comum ou uma descrição do produto. Slogans criativos e próprios têm mais chance; frases genéricas tendem a não ser aceitas.
Qual a diferença entre proteger por marca e por direito autoral?
A marca protege sinais que identificam um produto ou serviço no mercado, com registro no INPI e prazo de renovação. O direito autoral protege obras de criação, como o desenho artístico de um logo, e nasce com a própria criação. São proteções diferentes que podem até se somar.
Registrar o nome já protege a identidade visual toda?
Não. Registrar só o nome cobre o nome. O logo, como conjunto visual, fica mais protegido por uma marca mista ou figurativa. Cada elemento que você quer blindar normalmente exige a forma de registro correspondente.
Sobre o autor

Fellipe Araujo é da equipe da HotMarcas, especializada em registro e acompanhamento de marcas no INPI há 30 anos, com procurador autorizado pelo INPI.