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Marketing de emboscada: o que sua empresa pode (e não pode) fazer na Copa

· 2 min de leitura · Por Fellipe Araujo
Gramado de um campo de futebol durante a temporada da Copa
Resposta rápida: Marketing de emboscada é tentar associar a sua marca a um grande evento — como a Copa — sem ser patrocinador oficial. Usar nomes, símbolos ou slogans do evento, ou sugerir uma parceria que não existe, pode configurar violação de marca e gerar notificação ou ação judicial. Dá para surfar o clima de futebol, mas sem pegar carona nas marcas protegidas.

Grandes eventos atraem grandes audiências — e, com elas, a tentação de "pegar uma carona". É aí que entra o marketing de emboscada: tentar associar a sua marca a um evento como a Copa do Mundo sem ser um patrocinador oficial. Parece esperto, mas pode sair caro. Veja onde está a linha.

O que é marketing de emboscada

É qualquer ação que busca criar, na cabeça do consumidor, uma ligação entre a sua empresa e o evento sem que essa ligação seja autorizada. Os patrocinadores oficiais pagam — muito — por esse direito. Quando uma marca não-patrocinadora se aproveita do evento, ela está, na prática, colhendo um benefício pelo qual não pagou e que pertence a outros.

Por isso os organizadores e patrocinadores monitoram e reagem rápido: a emboscada esvazia o valor do patrocínio oficial.

O que costuma cruzar a linha

Tendem a ser tratadas como emboscada ações que:

  • Usam nomes e símbolos oficiais ("Copa do Mundo", "FIFA", emblema, mascote, taça, slogans);
  • Fazem promoções que dependem do evento ("concorra a ingressos", "esquente para a Copa com a gente");
  • Sugerem parceria ou patrocínio que não existe — inclusive de forma indireta, por insinuação;
  • Imitam a identidade visual do evento para criar associação.

Repare que nem sempre é preciso dizer "somos patrocinadores": basta dar a entender. A insinuação já é suficiente para gerar problema.

O que você pode fazer com tranquilidade

A boa notícia: dá para aproveitar a temporada sem entrar na zona de risco.

  • Comunicar o clima de futebol e torcida de forma genérica, sem elementos oficiais;
  • Criar promoções próprias, ancoradas na sua marca e nos seus produtos, não no evento;
  • Investir em conteúdo que conecta o seu público ao momento sem fingir uma ligação que não há.

A régua é simples: se a peça só "funciona" porque se apoia no nome ou nos símbolos do evento, provavelmente é emboscada. Se ela funciona sozinha, pela força da sua marca, está no caminho seguro.

O ativo que sobra depois do apito final

Campanhas de evento duram semanas. A sua marca dura o negócio inteiro — se estiver protegida. Empresas que dependem de pegar carona em marcas alheias normalmente são as mesmas que ainda não construíram (nem registraram) uma marca própria forte.

Vale inverter a lógica: em vez de gastar energia chegando perto demais de uma marca que não é sua, fortaleça a que é. Entenda por que vale a pena registrar a sua marca e os riscos de operar sem registro.

Quer entrar na temporada de maior visibilidade do ano com a sua marca protegida? Comece pela verificação gratuita e veja se o nome do seu negócio está livre.

Perguntas frequentes

Toda campanha que fala de futebol é marketing de emboscada?
Não. Falar de futebol de forma genérica, sem usar marcas, símbolos e slogans oficiais e sem sugerir associação com o evento, não é emboscada. O problema aparece quando a empresa tenta se apresentar como ligada ao evento sem autorização.
Qual o risco real de fazer marketing de emboscada?
Notificação extrajudicial, ordem para retirar o conteúdo do ar, perda do investimento na campanha e, dependendo do caso, ação judicial por uso indevido de marca. O dano de imagem também pesa.
Como divulgar meu negócio na Copa com segurança?
Aposte no clima de torcida de forma genérica, sem elementos oficiais, e foque na sua própria marca e nos seus diferenciais. Em caso de dúvida sobre uma peça específica, vale uma análise antes de publicar.
Sobre o autor

Fellipe Araujo é da equipe da HotMarcas, especializada em registro e acompanhamento de marcas no INPI há 30 anos, com procurador autorizado pelo INPI.