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Internacional

Como registrar sua marca no exterior: o Protocolo de Madri explicado

· 3 min de leitura · Por Fellipe Araujo
Mapa-múndi sobre mesa com xícara de café, representando expansão internacional de negócios
Resposta rápida: O Protocolo de Madri permite depositar um único pedido no INPI e designar dezenas de países ao mesmo tempo, sem precisar contratar advogado local em cada um. É mais barato e mais simples do que registrar país a país. Faz sentido para quem já exporta ou planeja fazê-lo em breve.

Se você quer registrar sua marca em vários países ao mesmo tempo sem pagar separadamente em cada um, o caminho mais direto é o Protocolo de Madri — um sistema administrado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI/WIPO) que permite fazer tudo em um único pedido, em português, pelo próprio INPI.

O que é o Protocolo de Madri

O Protocolo de Madri é um acordo internacional que centraliza o processo de registro de marcas em mais de 130 países. Em vez de contratar um escritório local em cada país, traduzir documentos e pagar taxas separadas em cada jurisdição, você faz um único depósito no INPI e indica quais países quer proteger.

O INPI então encaminha o pedido para a OMPI, que distribui para os escritórios nacionais de cada país designado. Cada país ainda tem autonomia para aceitar ou recusar a marca segundo as suas próprias regras — mas você não precisa gerenciar esse processo diretamente.

Como funciona na prática

O ponto de partida é ter um pedido de registro ativo no Brasil — o chamado pedido base. Você não precisa esperar a concessão, mas o pedido precisa existir e estar em andamento.

A partir daí, o processo tem três etapas:

  1. Você indica os países que quer proteger. Cada país tem uma taxa específica, e a soma dessas taxas é paga em francos suíços diretamente à OMPI.
  2. A OMPI registra internacionalmente e notifica cada país designado.
  3. Cada país analisa o pedido pelas suas próprias regras. Alguns aprovam em meses; outros demoram mais de um ano. Se algum país recusar, os demais não são afetados.

Vantagens em relação ao registro país a país

Registrar marca diretamente em cada país exige contratar um advogado local, traduzir documentos para o idioma local e lidar com sistemas burocráticos diferentes. O custo aumenta rapidamente quando você fala em 5, 10 ou 15 países.

Com o Protocolo de Madri:

  • Um único pedido cobre todos os países escolhidos
  • Gestão centralizada: renovações, alterações de titularidade e mudanças de endereço são feitas em um único ponto
  • Custo proporcionalmente menor do que contratar escritórios locais em cada país
  • Prazo de proteção unificado: 10 anos, renovável diretamente pela OMPI

A economia fica ainda mais evidente para marcas que precisam cobrir regiões inteiras — a União Europeia, por exemplo, é tratada como um único bloco no sistema.

A limitação que você precisa conhecer

Durante os primeiros 5 anos, o registro internacional depende do pedido base no Brasil. Se o INPI recusar seu pedido aqui ou se você deixar o processo cair por falta de resposta a uma exigência, os pedidos internacionais também são cancelados automaticamente.

Isso se chama "ataque central" e é o principal ponto de atenção do sistema. A solução é simples: cuide bem do seu pedido no Brasil durante esse período. Depois dos 5 anos, os registros no exterior tornam-se independentes.

Quando faz sentido usar

O Protocolo de Madri vale a pena em situações concretas:

  • Você já exporta e quer proteger a marca nos países onde vende
  • Você está prestes a exportar e precisa garantir o nome antes de chegar ao mercado
  • Você vai abrir filial em outro país e quer chegar com a marca registrada
  • Seu produto tem potencial global — e-commerce, software, aplicativos, conteúdo digital

Se você ainda não tem clareza sobre quais mercados vai atacar, pode esperar. O registro no Brasil já garante prioridade no território nacional. A internacionalização pode vir quando o negócio estiver maduro para isso.

O que fazer agora

O ponto de partida é registrar a marca no Brasil — o Protocolo de Madri precisa desse pedido base para funcionar. Se você já tem o pedido ativo aqui e está considerando expandir para outros países, vale conversar com um especialista para calcular as taxas específicas de cada país e montar a estratégia de designação.

Expandir a marca sem registrá-la no mercado de destino é um risco real: outra empresa pode registrar o mesmo nome lá fora e impedir a sua entrada — ou exigir uma negociação cara para ceder o direito. Agir antes de chegar ao mercado é sempre mais barato do que resolver o conflito depois.

Perguntas frequentes

Quantos países fazem parte do Protocolo de Madri?
Mais de 130 países participam do sistema, incluindo Estados Unidos, União Europeia (bloco único), China, Japão, Reino Unido, Argentina, México e Colômbia. A lista completa está no site da OMPI (wipo.int).
Preciso ter a marca registrada no Brasil antes de usar o Protocolo de Madri?
Não precisa ter o registro concedido, mas precisa ter um pedido ativo no INPI — é o chamado pedido base. O registro completo no Brasil facilita, mas não é obrigatório para iniciar.
O que é a 'dependência' do pedido base nos primeiros 5 anos?
Se o seu pedido base no INPI for recusado ou abandonado nos primeiros 5 anos, os pedidos internacionais derivados dele também caem. Depois desse prazo, os registros no exterior ficam independentes do que acontecer no Brasil.
Sobre o autor

Fellipe Araujo é da equipe da HotMarcas, especializada em registro e acompanhamento de marcas no INPI há 30 anos, com procurador cadastrado no INPI.